História de um Zé Ninguém que testou um carro de lançamento - Volkswagen Tera

 A vantagem de se comunicar com todo mundo, principalmente com os seguidores, é que a gente aprende e compreende as pessoas de um jeito que nenhum algoritmo consegue ensinar. Existe uma sabedoria silenciosa circulando por aí, escondida nos comentários, nas mensagens diretas, nas pessoas que leem com atenção e sentem que têm algo a dizer. Um certo seguidor, assíduo nas revistas e jornais de antigamente, me disse uma coisa que ficou tatuada em algum lugar, que não dá para localizar com precisão, mas que a gente sente no fundo: “Eu sei que não é muito a sua praia, mas posta histórias dos carros que você testa. Mesmo que talvez ninguém possa dar o devido valor a certos modelos, conte a sua história. É muito valioso, e você tem paixão. Tenho certeza que será muito bem-vindo para quem gosta de ler.”



Foi poderoso o suficiente para me fazer sentar e escrever esse texto.

Por isso quero dedicar esse texto e essa primeira história de muitas que ainda virão ao Volkswagen Tera. Não é uma ficha técnica descrita. Nem um comparativo de números. É uma história sobre paixão, sobre teimosia, sobre aquela fé meio irracional que a gente carrega quando acredita em algo maior do que os próprios recursos permitem. Espero que leve bons momentos do meu jeito. E quero agradecer ao seguidor X (não vou citar o nome, mas ele sabe quem é) por me dar a coragem que eu precisava para começar.

O Tera, desde os seus primeiros vislumbres, algo que a Volkswagen faz questão de transformar em mistério, e faz muito bem, gerou uma curiosidade coletiva que raramente se vê no mercado brasileiro. Não era só a imprensa especializada, nem era só o entusiasta de plantão. Era o consumidor comum, era o cético, era o fã incondicional da marca e o que nunca comprou um Volkswagen na vida. Tinha algo naquelas silhuetas camufladas, naquelas fotos espionadas, naqueles rumores de salão em salão, que mexia com um instinto primitivo em qualquer pessoa que gosta de carro. A antecipação de algo novo, de algo grande.

Tudo começa com uma boa amizade e confesso que tive um privilégio que guardo comigo com muito carinho e com muita responsabilidade: a honra de ver o Tera camuflado, de estar diante dele, de enxergar ao vivo e com os meus próprios olhos o interior do carro antes de praticamente todo mundo. Ver aquilo foi uma experiência quase surreal. O tipo de coisa que a gente fica repetindo para si mesmo em silêncio: eu estou vendo isso de verdade. Mas seria muita sacanagem da minha parte sair publicando como um sabichão que teve acesso privilegiado. Não era esse o espírito. O que fiz foi guardar e fazer um pedido ao universo que, de tão sincero, de tão intenso, me deu arrepio até na ponta dos dedos: eu vou ser um dos primeiros a testar esse carro. Aquilo saiu de dentro com uma força que me surpreendeu até a mim mesmo.

Era algo distante demais para ser razoável pensar nisso. Afinal, quem era eu? Convite para evento é coisa da bolha do meio. Receber carro de lançamento das marcas era privilégio dos estabelecidos, dos que têm alcance para mostrar, dos que circulam nos corredores certos. Para o independente, no final da fila, e olhe lá. Mas aquele pensamento não saía. Era quase físico. Um tapinha nas costas, um sopro suave e firme ao mesmo tempo, uma espécie de bálsamo interno que dizia com clareza: você vai testar esse carro. Guardei isso e não falei para ninguém. Deixei a vida me levar!

Após a apresentação do Tera no Sambódromo, um evento que por si só já era espetacular, recebi uma mensagem do pessoal da Localiza dizendo que ele ia chegar. Fiz o que qualquer pessoa apaixonada faria: liguei para meio mundo do time e disse sem demora: se chegar, reserva para mim. Não importa o dia. Não importa o preço. Eu quero esse carro.

Tinha só uma certeza inabalável de que ia acontecer. Sonhava com aquilo de um jeito que beira o constrangedor de contar. Fechava os olhos antes de dormir e visualizava o painel. Imaginava como seriam as respostas do motor, a posição de dirigir, o som das portas fechando, o cheiro do interior novo. Mil e uma coisa sobre o Tera passava pela cabeça antes de eu dormir, toda noite.

Assumo que ficava desanimado com frequência. E aqui vai uma palavra franca, não de mágoa, mas de observação honesta para você, leitor, seja entusiasta, consumidor, ou até assessor do meio que lê isso por curiosidade: o conteúdo automotivo cresceu, democratizou muita coisa boa, abriu portas que antes estavam fechadas a sete chaves. Mas há um lado dessa democratização que dói em quem leva isso a sério. Às vezes, criar conteúdo comprometido, dedicar do próprio bolso, pesquisar, observar, percorrer quilômetros e trazer algo concreto para o público é uma equação que parece injusta quando você olha ao redor e enxerga gente com conteúdo cada vez mais raso, cada vez mais afinado com a bajulação e cada vez mais distante de qualquer substância real. A panelinha que privilegia o superficial. A soberba de certas figuras. Os números que viram moeda de troca para substituir o mérito. É um cansaço silencioso que quem trabalha de verdade conhece bem.

Mas foi exatamente em meio a esse desânimo que a ligação chegou, numa segunda-feira comum, como se o universo tivesse escolhido aquele dia de propósito para lembrar que vale a pena continuar: “Victor, chegou o Tera. Temos a versão Outfit e a High. Qual você quer?”

Os Outfits eram todos brancos... bonitos, sem dúvida, mas havia ali um Tera High numa cor que me parou por completo: o Azul Ártico. Limpo, sério, elegante sem gritar exageros. O tipo de cor que combina com estrada de madrugada e serra com neblina. Falei sem hesitar: reserva o azul. O pessoal da Localiza fez no precinho e dedico uma gratidão genuína a todos eles, porque sem receber absolutamente nada da minha parte, fizeram o esforço de me dar uma honra que eu jamais vou esquecer.

Eu não pensava em mais nada. O mundo ao redor tinha encolhido para caber numa única frase: vou testar um Tera. Só de escrever isso aqui, agora, sinto o cheiro de carro novo. Para ter dimensão do que estou dizendo: o carro tinha plástico protetor nos bancos quando peguei. Praticamente zero quilômetro. O pessoal da Localiza já me conhecia o suficiente para saber que eu gostava de ser o primeiro a fazer as honras e assim foi. Aquela segunda-feira teve um peso diferente de todas as outras segundas-feiras que já vivi.

O Instagram foi à loucura. Recordes de visualizações, caixinha de mensagens transbordando — parabenizações, perguntas, elogios ao carro, elogios ao trabalho, pessoas animadas como se fosse a conquista de todos. De certa forma, era!

E o teste em si foi tudo o que eu esperava e um pouco mais do que eu tinha capacidade de imaginar. No meu roteiro de testes noturnos, sempre passo por Campos do Jordão. A Serra de Campos do Jordão tem uma qualidade especial à noite, o asfalto vai se abrindo à frente dos faróis, a temperatura cai de um jeito que a gente sente nos ombros mesmo dentro do carro, e existe uma solidão nobre naquela estrada que obriga a pessoa a ser honesta consigo mesma. Naquela noite, com -2 graus marcados no display do Tera e a serra envolta numa quietude absoluta, o pessoal de testes da Volkswagen me avistou na estrada. Estavam me acompanhando pelas redes, sabiam que eu estava ali. E me parabenizaram com aquela buzinada inconfundível da Volks dois toques ritmados, quase um cumprimento de quem se reconhece. Por dentro do carro, comemorei sozinho em silêncio.

Não acreditava que aquilo era real. Assumo, sem nenhuma vergonha, que chorei. Naquela descida silenciosa da serra, só a estrada e eu e o Azul Ártico cortando a névoa, não havia como conter. Era o meu suor naquilo. Era a minha teimosia naquilo. Era cada vez que eu não desisti mesmo sem ter razão concreta para continuar acreditando. Não tinha apoio de assessoria. Não tinha empurrão de marca. Tinha só paixão e a paixão, quando é verdadeira, encontra um jeito de se realizar que a lógica não consegue explicar direito.

Brinco com conhecidos e familiares às vezes: no meu acervo particular de histórias, quando tiver meus 90 anos — se chegar lá —, vou contar para os meus netos que tive a honra de cobrir o lançamento do Volkswagen Tera sem apoio de ninguém. Um perfil pequeno, sem assessoria, sem convite oficial, sem nada. Um zé ninguém que testou um carro de lançamento por pura obstinação. Acho que esse seria o slogan perfeito para o capítulo.

Volkswagen ganha o coração de qualquer brasileiro. Isso não é opinião é um fato histórico, cultural, quase afetivo. E como eu era um dos “privilegiados” circulando com aquele Azul Ártico pela cidade, cada parada virava um evento espontâneo. A cor chamava atenção antes mesmo de as pessoas saberem o que era o carro. Pescoços viravam. Olhares seguiam. Perguntas apareciam de lugares inesperados.

Posso colocar no currículo — e pretendo usar isso em proposta de publi futuramente, sem o menor constrangimento — que fui apresentador informal do Volkswagen Tera para o público geral. No shopping, no mercado, no posto. Num dia perto da Faria Lima, parei para abastecer e, não sei bem que química se formou ali, mas praticamente todos ao redor me cercaram com perguntas. Quem é o dono? Mal sabiam que era alugado. Para elevar o momento como ele merecia, eu disse com calma: “Na verdade, eu testo carros.” A pessoa olhou para mim e disse: “Estilo Quatro Rodas e Auto Esporte?” Confirmei que sim. Ao redor do carro tinha umas 15 pessoas. Não pensei duas vezes: mandei todo mundo entrar, sentar, tirar foto. Deixei que aquele carro fizesse o que um bom carro sempre faz, criar memória. Foi genuinamente um dos momentos mais gostosos de toda essa Jornada. Não porque eu estava no centro da cena, mas porque estava compartilhando algo que amava com pessoas que nunca imaginaram que aquilo pudesse acontecer no meio de uma tarde comum.

No evento de lançamento de uma concessionária, recebi um convite para fazer presença, sem cachê, mas um convite ainda assim e receber um convite quando você opera no independente tem um peso que quem nunca operou assim não consegue dimensionar completamente. Fui. Gravei o carro com cuidado, destrinchei cada detalhe em frente à câmera, falei com a convicção de quem passou dias inteiros dentro daquele produto. E uma estranheza me chamou a atenção durante a gravação: ninguém se aproximou. Umas cinquenta pessoas circulando pelo showroom, e o espaço ao redor do Tera ficou meu por inteiro. Aquilo gerou uma pergunta silenciosa que deixei para responder depois.

A resposta veio de forma inesperada. Terminei de gravar, fui sentar perto da área do bufê, e um senhor de uns cinquenta anos se aproximou com a esposa — um casal de presença serena, palavras medidas, o tipo de pessoa que quando abre a boca você instintivamente para para ouvir. “Podemos conversar com você?” Logo pensei: claro. E ele disse, com uma simplicidade que tinha o peso de uma avaliação sincera: “Parabéns, garoto. Eu e minha esposa estávamos comentando que você mostrava tanto conhecimento, tanta firmeza no que falava, que ficou bonito de ver. Observamos que as pessoas ao redor estavam te admirando — Pensei: por isso ninguém entrava no carro enquanto você gravava. Estavam assistindo!”

Aquilo explicou o silêncio ao redor. E então ele completou, com a elegância de quem sabe trocar em miúdos sem precisar ser grosseiro: havia um influenciador pago pelo grupo de concessionárias apresentando o Tera, com toda uma estrutura de tapete vermelho ao redor, quase cenográfica. E ao contrário de mim, disse o senhor, aquele não merecia estar fazendo a “propaganda” daquele carro... errando takes seguidos, pedindo para reiniciar, carregando no gestual o que claramente lhe faltava no conhecimento. As ironias do meio têm essa crueldade sutil de se revelarem na hora errada para as pessoas cerradas. Um brilho pequeno, mas real, apareceu nos meus olhos.

Mais tarde, o diretor do grupo me chamou discretamente de lado. Parabenizou pela gravação, pela presença, pelo fato de eu já estar circulando com o Tera antes mesmo do evento. E então fez a pergunta com uma inocência que era quase cômica: “A Volkswagen te entregou o carro?” Respondi que não, era alugado, graças à Localiza. Vi o espanto nitidamente se instalar no rosto dele. A conversa não durou muito: o influenciador pago estava exigindo alguma coisa do outro lado do salão. Fui embora com a leveza de quem não deve nada a ninguém e carrega algo que não tem preço.

Retirei o Tera com dez quilômetros no odômetro e devolvi com três mil. Cinco dias de teste intenso, roteiros nãopensados, estradas variadas, condições diversas, tudo para destrinchar o produto com a seriedade que ele merecia e que o público que me acompanha merece receber. Os detalhes técnicos ficam para os vídeos e os textos específicos, porque esse aqui é outro tipo de texto. Esse aqui é sobre o que acontece do lado de dentro de quem faz isso.

E o que aconteceu do lado de dentro foi algo que não sei nomear com precisão, mas que reconheço como uma das experiências mais significativas da minha Jornada até aqui. Dizem muito — em discursos de superação, em comentários motivacionais, em histórias que circulam pela internet — que a fé move montanhas. Afirmo, com convicção e com a estrada de Campos do Jordão como testemunha: ela move mesmo. Nem sempre no nosso tempo. Nem sempre do jeito que a gente imaginou. Mas move!

Para mim, o Tera foi um presente do universo embrulhado em Azul Ártico. Eu tinha tudo para perder nessa aposta — tempo, dinheiro, energia, o risco do ridículo de alguém que acredita em si mesmo além do que os números justificam. E só ganhei. Não em métricas. Não em visibilidade patrocinada. Ganhei em algo que nenhuma cartilha de assessoria consegue tabular: a credibilidade construída centímetro a centímetro, quilômetro a quilômetro, por alguém que não teve atalho nenhum e não precisou de viver nas costas de ninguém para chegar até aqui.

Talvez as algumas marcas que perderam a capacidade de enxergar a diferença entre o trabalho suado e o trabalho fantasioso dos números, talvez nunca entendam o que aconteceu naquelas noites na serra. Mas os que estavam na Jornada, o casal do bufê, as quinze pessoas no posto da Faria Lima, os engenheiros da Volkswagen que buzinaram na descida — esses entenderam. E eu guardo cada um deles com gratidão!

Dedico esse texto a todos que me apoiaram nessa Jornada com o Volkswagen Tera. Aos que puderam compreender o carro, valorizar o produto e reconhecer o trabalho de alguém que faz isso porque ama e que não saberia fazer de outro jeito mesmo que quisesse.

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